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A fábula do garoto da faculdade privada que não tinha uma privada!
Eis a historia de Oliver Mendonça filho de pai e mãe pobre, e que possuía o sonho de cursar uma faculdade de direito. Sua empolgação, o motivo de conseguir se formar era lutar pelo direito das pessoas, principalmente gente pobre que engole lixo todos os dias. Afinal seu pai e sua mãe eram pessoas dessa categoria. Ele pertencia à terceira geração de catadores de lixo, contudo seu destino parecia ser bem maior. Ganhara bolsa de estudo para cursar o ensino médio em um belo colégio por ter escrito uma excelente redação sobre a constituição e o cidadão. Ele se apoiou em um dos pontos dos princípios fundamentais. A dignidade do povo. O premio foi concedido também pela sua pele negra e pela condição de filhos de catadores de lixo. Isso não estava impresso no concurso, mas expresso em cada mente dos jurados ao ler sua pequena biografia. Ao término daquele colégio com as melhores notas, alguns apelidos pejorativos e quase todos os amigos esquecidos na primeira esquina da vida formada. Sua tristeza poderia ter lhe sucumbido, contudo Oliver era uma daquelas pessoas que lutaria ate o final para seguir sua missão na terra. E sua missão era ajudar as pessoas. Trabalhava diariamente sob o quente sol e suor catando restos de luxo nas lixeiras, ajudando sua família com a renda e de noite tentava driblar o sono para estudar para o vestibular de direito. Falhou na prova em três tentativas. Descobriu a chamada prova do Estado, cotas e descontos e correu atrás dos seus direitos. Mas faltou nas duas tentativas por causa de imprevistos. No primeiro foi roubado um dia antes e perderá o documento de comprovação, seu medo dos milicos era tamanho, afinal seu tio perdera a vida nas armas deles, que resolveu ficar quieto. Na segunda vez, o cansaço o derrubou. Alguém poderia chamá-lo de vagabundo e covarde. Mas Mendonça não sabia o que era desistir! Aos vinte anos, empregado numa concessionária de carros lavando-os. Soube que estava na lista da dispensa. Isso garantia o auxilio desemprego. Juntou essa grana e pagou uma faculdade particular. O povo fizera festa, cervas e salgadinhos, o Mendonça vai cursar Direito e logo vai tirar todo mundo dessa merda. Nesta festa conheceu Marilia por quem se apaixonou e logo nove meses depois seu filho nasceria: Josué. Com muito custo ia para as aulas e catava lixo das ruas e da faculdade também. Embora o lixo sobrasse, o dinheiro não! E logo começou a vender algumas coisas da casa, ou melhor, do barraco. E a privada que um vizinho tanto ambicionava entrou na balança. No raciocínio de Oliver havia uma lógica. Nosso povo é privado de educação e saneamento mesmo e continua vivo, então para salvá-los dessa merda, o jeito e privar-me da privada e viver perto da merda. No final de contas não fazia muita diferença mesmo. Um buraco apareceu no chão, e no estômago da família unida para a aprovação do filho. No final do curso o filho não conseguiu agüentar a pressão das baixas notas e da sensação de não pertencer a aquele mundo. Toda a família deixava seus restos de merda naquele buraco alheios ao fato de que isso poderia os trazer alguma doença... E causou, pois a Mamãe pegou algum tipo de infecção de pele não tratada para virar algo pior e ser sua própria morte. Encontrada com a cabeça enfiada naquele mesmo buraco. Josué faz parte da quarta geração dos catadores de lixo. A moral da historia: Cuidado com suas merdas; Ou a merda de educação em nosso país. Ou filho de peixe, peixinho é; Decida qual se encaixa na sua vida, pois neste momento Oliver e Josué continuam catando lixo para comprar uma privada. Privando suas vidas do mais essencial ao ser humano, sua dignidade.
Melhor redação para Oliver Mendonça concedendo Bolsa especial para esse talento nato das letras que potencialmente será valioso demais para o bem estar de todos.
“A graça da vida se perde quando nada nela é de graça”
Plaz Mendes.
Escrito por plaz às 16h21
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